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Geopolimeros com base em cinzas volantes activadas com naoh y Ca(OH)2: caracterização microestrutural por rmn-mas 29Si y 27Al


Geopolymers based on fly ash activated with naoh and Ca(OH)2: microstructural characterization by nmr-mas 29Si Y 27Al


Jherson Eveiro Díaz Rosero1
Alexandre Silva de Vargas2
Denise Carpena Coitinho Dal Molin3
Angela Borges Masuero4
Rosane Aguiar Da Silva San Gil5
Ruby Mejía de Gutiérrez6

1 Instructor Análisis de Materiales. SENA-ASTIN. Cali-Colombia Jediaz082@misena.edu.co
2 Pós-Doutorando UFRGS. Prof. Eng.a Civil e Arquitetura. Universidade Feevale. Novo Hamburgo, Brasil alexandrev@feevale.br
3 Prof.a Eng.a Civil. UFRGS. Porto Alegre, Brasil 00006726@ufrgs.br
4 Prof. a Eng.a Civil. UFRGS. Porto Alegre, Brasil angela.masuero@ufrgs.br
5 Prof.a Química. UFRJ. Rio de Janeiro, Brasil rsangil@iq.ufrj.br
6 Prof. a Eng.a de Materiais. Universidade Del Valle. Cali, Colômbia rudeguti@hotmail.com

Recibido: 04-04-2016 Aceptado: 01-12-2016

Resumo

Na tecnologia de álcali-ativação de cinzas volantes, dependendo da combinação dos ativadores, reações deletérias poderão resultar em queda na resistência com a idade. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a resistência à compressão de cinzas volantes álcali-ativadas, a partir de soluções combinadas de NaOH e Ca(OH)2. Três relações molares CaO/SiO2 (C/S) foram estudadas: 0.05 (M5), 0.15 (M15) e 0.25 (M25). Resistências da ordem de 21 MPa (M15) e 19 MPa (M25) foram atingidas na idade de 7 dias. Porém, aos 28 e 91 dias as resistências foram de 8 MPa e 7 MPa, respetivamente. As amostras M5 apresentaram comportamento ascendente da resistência com a idade. Assim, a queda na resistência está condicionada a relação C/S das matrizes. Nos espectros 29Si RMN da amostra M25 o Si apresenta diminuição das espécies Q4(3Al) e Q4(2Al), estes responsáveis pelas características mecânicas das amostras ativadas.

Palavras chave: álcali-ativação, cinza volante, resonancia magnética nuclear.

Abstract

In fly-ash alkali-activation technology, depending on the combination of activators, deleterious reactions may result in a drop in resistance with age. This Studiy aimed to evaluate the compressive strength of alkali-activated fly ash from combined solutions of NaOH and Ca(OH)2. Three molar ratio CaO/SiO2 (C/S) were studied: 0.05 (M5), 0.15 (M15) e 0.25 (M25). Resistances order of 21 MPa (M15) and 19 MPa (M25) were reached at the age of 7 days. However, after 28 and 91 days, the resistances were 8 MPa and 7 MPa, respectively. The M5 samples showed rising behavior of resistance with age. Thus, the drop in resistance has conditioned the C/S matrices. In the 29Si NMR spectra of the M25 sample Si has decreased species Q4 (3Al) and Q4 (2Al), those responsible for the mechanical properties of activated samples.

Keywords: Alkali-activation, fly ash, nuclear magnetic resonance.

Introdução

Palomo., Grutzeck, Blanco,.(1999) comentam que a álcali-ativação, muitas vezes dita geopolimerização, é um processo químico que permite transformar estruturas vítreas (parcialmente ou totalmente amorfos e/ou metaestáveis) para um compósito bem compactado e cimentante. Van Jaarsveld & van Deventer, (1997) complementam que para ocorrer a polimerização é necessário um meio fortemente alcalino para ser possível dissolver certa quantidade de sílica e alumina, assim como hidrolisar a superfície das partículas das matérias-primas. Este meio pode ser conseguido através do uso de soluções alcalinas, de forma simples ou combinada, denominadas ativadoras (NaOH, KOH, Na2SiO3, Ca(OH)2, etc).

Diversos trabalhos tem mostrado que amostras álcaliativadas apresentam excelente desempenho mecânico ao longo do tempo (Jeon, Jeong, Eun, 2015; Peng , Dakhane, & Neithalath, 2015; García-Lodeiro Fernández- Jiménez, & Palomo, 2013; Mingyu & Fumei, 2009; Criado, Fernandez-Jimenez, Garcia-Loderiro & Carcelan, 2012; Vargas, Dal Molin, & Vilela, 2011). Entretanto, Vargas et al. (2014) verificaram que o aumento da relação molar C/N em ativadores combinados de Ca(OH)2 e NaOH influenciou na microestrutura e na resistência à compressão de amostras à base de cinzas volantes alcali-ativadas: amostras preparadas com maiores relações molares C/N (0,37 e 0,70) apresentaram a formação de dois géis aluminossilicato ao longo do tempo: um massivo e outro esponjoso, este responsável pela queda na resistência das amostras com o aumento da idade. Amostras preparadas com relação C/N de 0,033 apresentaram aumento da resistência à compressão com o aumento da idade e foi verificado apenas um gel aluminossilicato masivo. (Vargas, 2007) também haviam estudado em trabalho anterior o comportamento da resistência à compressão de amostras à base de cinzas volantes álcali-ativadas com ativadores combinados de Ca(OH)2 e NaOH quando curadas à temperatura de 70°C até a idade de ensaio. Amostras curadas nesta temperatura nas idades de 8 h, 10 h, 12 h e 24 h apresentaram comportamento ascendente (9,5 MPa, 17,5 MPa, 18,5 MPa e 21,4 MPa, respectivamente). O descrécimo na resitência foi verificado a partir da idade de 48 h (8,8 MPa), 7 dias (6,1 MPa) e 28 dias (5,0 MPa). Ou seja, dependendo da combinação entre ativadores de Ca(OH)2 e NaOH para a álcali-ativação de cinzas volantes, poderá haver instabilidade mecânica nestas amostras ao longo do tempo.

Portanto, este trabalho teve como objetivo principal avaliar a resistência à compressão de argamassas à base de cinzas volantes álcali-ativadas, utilizando para isso soluções combinadas de NaOH e Ca(OH)2 e realizar análises com o auxílio espectroscopia de 29Si RMN-MAS e 27Al RMN-MAS nas idades de 7, 28 e 91 dias.

Experimental

Materiais

A cinza volante (CV) utilizada foi gerada em uma indústria termelétrica localizada na região sul do Brasil. A CV pertence a Class F (ASTM C618, 1998) -baixo ter de cálcio- predominantemente na fase vítrea, com algumas inclusões cristalinas de mulita, hematita e quartzo, conforme análise dos espectros de XDR. A composição química da CV foi determinada com o auxílio do Espectrômetro de Fluorescência de Raios X e está apresentada na Tabela 1.

O agregado miúdo utilizado foi areia quartzosa de dimensões padronizadas em 4 faixas granulométricas 1.2, 0.6, 0.30 e 0.15 mm. Massa específica foi de 2.6 g/cm3. As soluções alcalinas foram obtidas a partir da mistura do NaOH e do Ca(OH)2. O primeiro com pureza de 97% e o segundo com pureza de 99%.

Método

As variáveis do processo foram a relação molar CaO/ SiO2 (C/S) e a idade. Três relações C/S foram estudadas 0.05, 0.15 e 0.25. Estas matrizes serão identificadas como M5, M15 e M25, respectivamente. Ensaios de resistência à compressão foram realizados em argamassas à base de cinzas volantes álcali-ativadas nas idades de 1, 7, 28 e 91. A caracterização microestrutural foi realizada em argamassas nas idades de 1, 28 e 91 dias usando espectroscopia 29Si MAS-NMR e 27Al MAS-NMR (Bruker, Avance 400 (9,4Tesla)). Para a caracterização microestrutural, após as argamassas terem sido submetidas aos ensaios de resistência à compressão, foram coletados fragmentos e estes foram finamente moídos (passante na peneira de malha 200 µm).

Como constantes no processo foram adotadas:

  1. a relação molar N2O/SiO2 (N/S) de 0.3;
  2. a temperatura de cura de 80°C/24 h. Para o resto do tempo de cura, as amostras foram mantidas em temperatura ambiente;
  3. a consistência de 200 mm ± 10 mm para as argamassas álcali-ativadas. Desta forma, a relação água/ cinza volante foi distinta para cada traço, conforme tabela 2. Esse índice foi estabelecido como padrão para o presente trabalho, pois as argamassas com esse índice não apresentaram exsudação excessiva na preparação das amostras cilíndricas, conforme Tabela 2.

As argamassas foram preparadas com traço de 1:3 (cinza volante:areia) e lançadas em moldes cilíndricos de diâmetro de 5 cm e altura de 10 cm. Cinco cilindros de cada amostra foram ensaiados à compressão em cada idade, com os valores experimentais sendo a média.

A Tabela 2 sumariza as composições das matrizes.

* relação utilizada para que o índice de consistência das argamassas permanecesse dentro do limite estabelecido na metodologia (200 mm ± 10 mm)

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Resistência à compressão de argamassas álcali-ativadas

O comportamento da resistência à compressão, ao longo do tempo, das argamassas álcali-ativadas é apresentado na Figura 1.

Com base nos resultados médios de resistência à compressão ilustrados na Figura 1, é verificado que as matrizes obtidas a partir de ativadores combinados de NaOH e Ca(OH)2 atingiram resistências de 21,3 e 19,4 MPa, respectivamente para as matrizes M15 e M25, na idade de 7 dias, mostrando o excelente desempenho mecânico em idades iniciais. Além disso, nesse período é possível observar que teores mais elevados de Ca(OH)2 – maior relação molar C/S– reproduziram amostras com resistências mais elevadas. Entretanto, observa-se que na idade de 28 dias houve retrogressão da resistência até a idade de 91 dias para as amostras M15 e M25, atingindo as resistências de 7,6 MPa e 6,7 MPa, respectivamente.

Comportamento distinto pode ser observado para as amostras M5, em que se verificam resistências mais altas em idades mais avançadas, não sendo percebido qualquer declínio até a idade de 91 dias.

Shi (1995) também verificou que matrizes à base de cinzas volantes álcali-ativadas com solução combinada de Ca(OH)2 e Na2SiO3 apresentaram queda na resistência à compressão entre as idade de 90 e 180 dias. Entretanto, os autores não sugerem qualquer mecanismo que pudesse desencadear tal declínio. Da mesma forma, Yip & Van Deventer. (2003) notaram queda na resistência em matrizes álcali-ativadas à base de metacaulim (MK) e escória granula de alto forno (EGAF). Porém, essa queda foi dependente da relação MK/EGAF e do módulo de sílica (Ms) entre os ativadores (Ms =SiO2/Na2O). Um ambiente mais alcalino (Ms =1.2) proporcionou queda de resistência nas matrizes que apresentavam 40% de EGAF. Para Ms =2 (menor quantidade de Na2O) também ocorreu retrogressão, mas agora para teores de EGAF a partir de 60%.

Os autores sugerem que a matriz formada é composta pela coexistência do gel aluminossilicato e do gel de C-S-H, em maior ou menor quantidade de cada composto, que dependerá das quantidades dos reagentes (matéria-prima + ativadores). O gel de C-S-H formado em tal sistema apresentou taxas de Ca/Si consideravelmente menores do que aquelas verificadas normalmente no gel de C-S-H formado no cimento Portland hidratado. Como os autores verificaram precipitados de Ca+2 ao longo da região de interface entre aqueles géis, eles sugerem que a reatividade desses precipitados, ao longo dessa região interfacial, é que determina a durabilidade do material. Porém, não houve uma explicação mais consistente. Buckwald et al. (2007) também identificaram a coexistência dos produtos de ambas reações (C-S-H e aluminossilicatos) na matriz formada pela álcali-ativação do MK e da EGAF. Porém, como estes autores apresentam apenas a resistência na idade de 28 dias, não foi possível constatar se houve ou não queda na resistência à compressão destas matrizes. Da mesma forma, Palomo. Fernández-Jiménez, Kovalchu, Ordoñez & Naranjo, (2006) verificaram a coexistência do C-S-H e do N-A-S-H em matrizes à base de OPC e CV com ativadores distintos de NaOH e water glass + NaOH. Resistências da ordem de 36 MPa foram alcançadas na idade de 28 dias, não havendo queda na resistência até esta data. A coexistência de ambos os géis foi observada em outros trabalhos (Yip, & Van Deventer 2003; Granizo, Alonso, Blanco-Varela & Palomo, 2002).

Com base nos resultados verificados na figura 1, somado aos apresentados por YIP et al.(2014), o comportamento mecânico de matrizes álcali-ativadas que contenham Ca2+ (seja proveniente do ativador alcalino –por exemplo, o Ca(OH)2 ou o CaCO3, para citar os principais –ou seja proveniente da matéria-prima– EGAF, cimento Portland, CV com alto teor de CaO, entre outros) e íons alcalinos ( Na+ ou K+ -proveniente do ativador alcalino) estará condicionado à quantidade de cada elemento na matriz álcali-ativada. Ou seja, as argamassas M5 (com teores baixos de Ca2+) apresentaram comportamento mecânico estável até a idade de 91 dias. Por outro lado, aquelas matrizes que continham teores mais elevados de Ca+2 (M15 e M25) apresentaram retrogressão de resistência em idades mais avançadas.

Portanto, o uso combinado de soluções alcalinas contendo NaOH e Ca(OH)2 para a álcali-ativação da CV deve ser realizada de forma cautelosa, pois, dependendo dos teores adotados, a estabilidade mecânica dos materiais álcali-ativados poderá ser comprometida, como foi constatado para as matrizes M15 e M25.

Com o objetivo de investigar a possível causa desta queda na resistência à compressão, serão apresentados no item a seguir os resultados das análises de 29Si RMN-MAS e 27Al RMN-MAS.

Espectroscopia 29Si RMN-MAS

A Figura 2 apresenta os espectros de 29Si RMN- MAS das amostras M5 e M25 nas idades de 7, 28 and 91 dias.

Puertas et al. (2009) mostram que os picos que aparecem entre -66 e -73 ppm são atribuídos a unidades Q0; entre -74 e -78 ppm são atribuídos a unidades Q1; entre -83e -88 ppm são atribuídos a unidades Q2; entre -95 e -100 ppm são atribuídos a unidades Q3; e entre -103 e -115 ppm são atribuídos a unidades Q4. Estes sinais foram detectados no presente trabalho. O sinal próximo a -108±1 ppm corresponde ao quartzo, este proveniente tanto da cinza volante quanto da areia utilizada para o preparo das argamassas. É interessante comentar que fases cristalinas da cinza volante (mulita, quartzo e hematita) foram identificadas com o auxílio de DRX antes e depois da álcaliativação em prévios trabalhos (Vargas et al. 2011 e 2014), corroborando com os resultados de 29Si RMN.

Nos espectros das amostras M5 e M25 são observados picos a aproximadamente -78, -81, -82 e -85 ppm de unidades Q1, Q2P, Q2 e Q2(1Al), respectivamente, que correspondem a cadeias de C-S-H (Jeon; Jun; Jeong & Eun , 2015; Richardson, Andersen, Jakobsen & Skibsted,2005.) formado como produto coexistente com o gel geopolimerico, onde Q2 corresponde ao Si tetraédrico do meio das cadeias, Q1 a tetraedros de Si do final das cadeias, Q2P ao Si que se encontra como ponte entre as cadeias e Q2(1Al) a ressonância ocasionada pela incorporação de um átomo de Al nas cadeias. De acordo com Puertas & Jiménez, (2003) a substituição do Si pelo Al muda o sinal entre 3 or 5 ppm para valores positivos. Assim sinais entre -82 e -84 ppm podem ser descritos como unidades Q2(1Al). De fato este último sinal é observado nas amostras M5, em menor intensidade, e nas amostras M25, em maior intensidade principalmente nas amostras com idade de 28 dias. Puertas & Jiménez, (2003) explicam que sinais neste intervalo foram observados em pastas à base de cinza volante/escoria álcali-ativados devido a formação de C-S-H. Segundo os autores, nestas estruturas lineares as ligações da silica (unidades Q1 e Q2) são ligadas nas camadas centrais de Ca-O, nas quais uma importante parcela das pontes tetraédricas das ligações lineares são ocupadas pelas unidades Al (Q2(1Al). Como as amostras M25 possuem maior concentração de CaO (C/N 0,83) há maior formação destas unidades e consequentemente a maior intensidade dos picos. A coexistência dos geis C-S-H e aluminossilicato é relatada por outros autores (García- Lodeiro, Fernández-Jiménez & Palomo, 2011).

Nos espectros da amostra M5 também são observadas diminuições das áreas dos picos Q4(1Al) ( -104 ppm) na medida em que a idade de cura das amostras aumenta, a qual pode ser atribuída a substituição do Si+4 pelo Al+3 na rede tridimensional do geopolímero, ocasionando um deslocamento dos pico a zonas positivas com sinais Q4(3Al) e Q4(2Al) em -93 e -97 ppm, respectivamente, ocasionando o aumento de resistência mecânica na medida que a idade das amostras aumenta, o que esta de acordo com os resultados apresentados por (Criado, Fernandez- Jimenez, Garcia-Loderiro, Carcelan Taboda, 2012).

Para a amostra M25 o comportamento foi distinto. Entre 7 dias (d), 28 dias (e) e 91 dias (f) foi detectada uma importante mudança no espectro. Observa-se que na idade de 7 dias os sinais a -104 ppm (Q4(1Al)) e a -97 ppm (Q4(2Al)) apresentam-se bem definidos. Entre 7 e 28 dias ocorre uma diminuição na intensidade destes sinais. Por fim, na idade de 91 dias os sinais -104 ppm e -97 ppm não são mais detectados no espectro da amostra M25, o que indica que estão ocorrendo reações que desestabilizam as ligações das unidades Q4. Isto mostra que o ambiente álcaliativado contendo maior concentração de cálcio (maior relação C/N) esta interferindo na desestabilização da matriz geopolimérica, o que conduz a queda na resistência à compressão das amostras M25 entre 7 dias (19,47 MPa), 28 dias (16,9 MPa) e 91 dias (6,70 MPa). Estruturas Q4(2Al) são as principais responsáveis pelas propriedades mecânicas dos geopolimeros e são essas estruturas que estão sofrendo modificação ao longo do tempo nas amostras com maiores relações C/N.

Observa-se também sinal ao redor de -86 e -88 ppm. Este sinal está associado a formação de tecnossolicatos ricos em aluminio com predominância de unidades de silicio Q4(4Al) (Fernández-Jiménez, Palomo, Sobrados & Sanz, 2006). Este sinal está presente tanto nas amostras M5 quanto nas amostras M25.

Sinais ao redor de -88 e -90 ppm são detectados em todas as idades para as amostras M5. Entretanto, para as amostras M25 o sinal é detectado em maior intensidade na idade de 28 dias e há uma redução desta intensidade para a idade de 91 dias. Segundo Puertas & Jiménez (2003) este pico esta associado a unidades Q4(3Al) referente a formação de um gel aluminossilicato amorfo a partir da álcali-ativação da cinza volante. Esta mudança importante no espectro das amostras M25 indica que mundaças internas no material estão ocorrendo conduzindo a queda na resistência.

Portanto, a queda na resistência das amostras M15 e M25 (maiores relações C/N) foi ocasionada principalmente pela desestabilização das unidades Q4(2Al) e Q4(3Al), ao longo do tempo. Estas unidades são as principais responsáveis pelas propriedades mecânicas das matrizes álcali-ativadas.

Espectroscopia 27Al RMN-MAS.

A Figura 3 apresenta os espectros de 27Al RMN-MAS das amostras M5 e M25 nas idades de 7, 28 and 91 dias.

Estes espectros apresentam que deslocamentos químicos observados para os sítios de Al em coordenação octaédrica (AlO) mantiveram-se com máximos na faixa de -2 a 5 ppm, exceto para a amostra M25 91 dias, que apresentou um segundo sinal com baixa intensidade em torno de 15 ppm. Em todas as amostras o sinal de Al octaédrico apresentou-se bastante alargado, o que sugere substituições distintas na segunda esfera de coordenação do Al. Por outro lado o sinal correspondente aos sítios de Al tetraédrico (AlT) mantiveram-se na região de deslocamento químico esperada, entre 60-62 ppm. Embora as diferenças de porcentagem de alumínio nas coordenações octaédrica e tetraédrica não tenham variado significativamente, observou-se para a amostra M25 uma discreta diminuição no teor de Al octaédrico com o aumento da idade.

Portanto, com base nos espectros de 27Al RMN-MAS, obsevou-se que não houve mudança consistente entre os espectros das amostras M5 e M25, independente da idade, diferentemente do que foi observado para os espectros do 29Si RMN-MAS. Ou seja, a queda na resistências das amostras M25 a partir da idade de 28 dias está relacionada aos sítios de silício e não do Alumínio.

Conclusões

Os resultados de resistência à compressão indicaram que o comportamento mecânico das amostras à base de cinzas volantes álcali-ativadas, ao longo do tempo, esteve condicionada a concentração de Ca(OH)2 nas soluções ativadoras combinadas com o NaOH. Para baixas concentrações de Ca(OH)2 -relação molar C/S = 0,05 (amostras M5)- o comportamento da resistência foi ascendente até a idade analisada (91 dias). Entretanto, para as amostras obtidas com maiores concentrações de Ca(OH)2 (C/S 0,15 e 0,25 –amostras M15 e M25, respectivamente), apesar das resistências à compressão serem da ordem de 20 MPa na idade de 7 dias, estas atingiram em torno de 7 MPa na idade de 91 dias, mostrando uma instabilidade mecânica, ao longo do tempo.

Com o auxílio do 29Si RMN-MAS foi observado que quando pequenas quantidade de Ca(OH)2 foram utilizadas, houve a formação de maiores quantidades de Q4(2Al) e de Q4(3Al), ao longo do tempo, o que esta de acordo com o comportamento mecânico descrito acima. Nos espectros de 27Al MAS RMN, não houve mudança consistente entre os espectros das amostras M5 e M25, independente da idade. Ou seja, a queda na resistência das amostras M25 a partir da idade de 28 dias está relacionada aos sítios de silício e não do Alumínio.

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